Brasil, meu Brasil brasileiro!!


Depois de mais de um mês longe do Brasil, a sensação que fica cada vez mais nítida é que "não há lugar como o Brasil".Ja tem um tempao que estou pra escrever sobre isso no blog, e hoje de repente me deparei com essa mensagem que o Rodrigo Almeida escreveu no blog Papo de Homem. Achei ótimo e por isso tou repostando aqui. É meio grande , mas leiam, porque realmente é muito legal.

Deixo-vos:

"Nós brasileiros, mais que qualquer outro povo do planeta, temos o intrigante hábito de depreciarmos o nosso país.
Relativizamos nossas qualidades e exaltamos nossas mazelas. Vivendo sentado no sofá, na frente da televisão, curtindo a programação de domingo, é bem possível que você nunca tenha tido tempo para sair à rua e ver o melhor do Brasil.

Trabalho em uma empresa multinacional com ramificações em todos os continentes e incontáveis países.
Viajamos para o exterior para encontrar clientes e receber treinamentos, mas também recebemos aqui colegas de todo o mundo. Em sua grande maioria eles vêm nos treinar ou contribuir com a implantação de algum projeto interno.

É engraçado traçar um comparativo entre as expectativas dos estrangeiros ao chegar, com suas conclusões ao partir. Existem casos mais caricatos como europeus que antes de vir pedem a seus médicos um coquetel de vacinas contra males da selva! Muitos têm medo de comerem nossa comida e beberem nossa água. Com respeito a todas as nacionalidades do mundo, arrisco-me a dizer que somos um dos povos mais bem informados em termos de geopolítica. Existe muito desconhecimento em relação ao que o Brasil realmente é.

Após alguns dias a maior parte dos estrangeiros se apaixona pela nossa variedade gastronômica. Os alemães descobrem que a culinária alemã é tão farta por aqui quanto em sua terra natal. Os irlandeses mais se preocupam com a nossa cerveja. Não gostam, mas bebem de tudo até cair. Os indianos são um caso a parte. Quando chegam não tocam em mulheres, não sorriem, comem em marmitas preparadas no hotel, não bebem e não confraternizam conosco.

Basta uma única festa para aprenderemos que pessoas são pessoas em qualquer lugar do mundo e, bem lá no fundo, almejam as mesmas coisas. Fizemos chineses e japoneses caírem de tanto beber caipirinha, muçulmanos dançarem em cima da mesa, franceses enlouquecerem com um samba frenético e europeus em geral apaixonarem-se por nossas belíssimas mulheres.

Essa experiência toda criou um problema para a empresa. Com 44.000 funcionários espalhados por todos os cantos do planeta podendo ir para onde desejarem, os gerentes estão tendo de lidar com a enxurrada de pedidos para viagens ao Brasil. Todos querem voltar. Os que não vieram querem nos conhecer após tantas referências. Mas nós brasileiros não gostamos daqui. Tenho certeza que muitos prefeririam trocar de lugar com nossos amigos europeus.

Então a empresa passou a de fato nos enviar para o lugar deles. Os destinos que mais receberam o pessoal do meu escritório foram Irlanda e Alemanha. Não posso negar que os primeiros dias não são excitantes. Descobrimos coisas novas, lugares novos, hábitos diferentes e gente que não se parece tanto conosco. É uma experiência rica, mas após alguns dias a novidade acaba.

Depois de termos visto “tudo” e estarmos incorporado ao cotidiano daquela região, passamos a nos focar em trabalho e a tentar viver como um nativo da cidade que nos recebe. Quase todos nós tivemos problemas para se adaptar aos hábitos alimentares estrangeiros. Os que conseguem enjoam da comida, pois poucos lugares do mundo se pode comer de tudo como no Brasil. Passamos a andar de ônibus, de trem, de táxi, a fazer compras no supermercado a ver como o povo desses lugares distantes vive.

No bairro mais nobre e rico da capital canadense sofri uma tentativa de assalto. Um homem sujo, mas bem vestido e com cheiro de álcool tentou pegar o troco que eu colocava no bolso. Em um país diversificado que recebe pessoas de todos os lugares do mundo, se criou um enorme problema racial. Em Toronto, os terminais bancários exibem a tela inicial em cantonês! Se você não fala cantonês precisa tocar em uns ideogramas até exibir a opção de outros idiomas: Mandarim, Híndi, Francês e Inglês!

Existem lugares completamente compartimentados em relação à raça de seus habitantes. Há bairros onde vivem apenas indianos, bairros reservados aos latinos, comunidades italianas, etc. Em Ottawa, uma ponte divide a cidade em duas. De um lado fica a população que fala Inglês, de outro a parte que fala Francês. Esteja avisado antes de cruzar a ponte: no lado francês não há placas de informação em inglês.

Na esquina do mundo, a Times Square em Nova Iorque, perdi uma camisa. Ao andar na calçada de um dos locais mais famosos do planeta, recebi uma baforada de vapor saindo de um duto do chão. Seja lá o que for aquilo, tisnou minha camisa branca de uma maneira que nunca mais consegui limpá-la. Aqueles dutos cuspindo vapor estão por toda a parte!

Em muitas esquinas podemos sentir o cheiro da urina dos mendigos. Esses também podem ser encontrados em todas as áreas da cidade. A glamurosa ilha de Manhattan parece como o centro das grandes metrópoles brasileiras. O movimento é frenético, o trânsito caótico, há poluição sonora e visual para todos os lados, vários arranha-céus e muita sujeira. Em minha opinião, dadas as proporções, Av. Rio Branco no Rio ou a Paulista em Sampa não deixam nada a desejar ao centro financeiro mais famoso do mundo.

De volta ao Brasil, todos nós aqui da empresa, passamos a adotar hábitos que nunca tivemos. Agora eu como muito feijão, farofa e camarão. Não tomo mais caipirinha com Vodka, pois aprendi o valor que um Velho Barreiro possui. Fico feliz quando vejo um negro caminhando na rua de mãos dadas com uma loira albina, gosto de ver colegas árabes e judeus trabalhando juntos, restaurantes italianos administrados por coreanos, japoneses rappers e africanos sushi-men. A salada de fruta cultural em São Paulo nunca me encantou tanto.

Lembro que no primeiro dia após minha volta, ignorei meu horário biológico completamente desregulado. Cheguei às 10, tomei um café expresso brasileiríssimo de Minas, almocei em uma churrascaria e as 15 horas fui a um parque.

Um corredor sem camisa passou por uma morena linda, com calça corsário e barriga de fora. Ela corria em sentido contrário e ainda tinha um piercing que batia de um lado para o outro fazendo um pêndulo hipnotizante na barriga durinha. Ele tentou encará-la bem dentro dos olhos, mas ela manteve a postura de indiferente. Continuou correndo elegantemente e ao cruzar por ele o observou muito discretamente com o cantinho de olho. Ele virou para trás enquanto corria apreciando a bunda que ia embora. Ao perceber, ela abriu um leve e comportado sorriso e continuou sua corrida fingindo estar indiferente.

O Brasil têm muitos problemas graves sim. Problemas esses que temos de combater um a um. Entretanto, as regiões metropolitanas mais desenvolvidas do país já possuem todas as características de países de primeiro mundo. Existem periferias, fome e pobreza na Europa e América do Norte também. Considerando cidades como São Paulo, Rio, BH, Curitiba, Floripa, POA, dentre outros pólos de riqueza no país, temos exatamente os mesmos problemas dos países ditos civilizados.

Além do mais, apesar de todas as mazelas e a infindável batalha que travamos diariamente para melhorar esse país de natureza excepcional, ainda somos muito mais felizes do que lá fora. Aqui, no final do expediente os problemas ficam de lado por alguns instantes quando o brasileiro comum abre uma Skol e curte seu sambinha no boteco. Não sou um fã de pagode, mas sei admirar a forma com que as pessoas humildes simplificam as dificuldades do dia-a-dia cantando e dançando. São pessoas que amanhã estarão de pé cedo, pois se perderem tempo reclamando ao invés de trabalharem, deixarão faltar o sustento da família.

No Brasil, não nos suicidamos tanto, nos ajudamos mais, nos divertimos mais e fazemos mais amigos. O tráfico pode matar com suas balas perdidas, mas aqui os lunáticos não metralham seus colegas nas escolas nem enfiam uma espada em seus estômagos ao serem demitidos Devemos sim criticar os problemas de nossa pátria, mas com o objetivo de agirmos e tomarmos a iniciativa para mudar oque está ruim. De nada adianta reclamar de tudo e todos, sentado no sofá ou atrás de um teclado de computador.""

Eu tenho orgulho do meu país...
Buenas noches, travelers!




4 comentários:

Graziê disse...

"Descobrimos coisas novas, lugares novos, hábitos diferentes e gente que não se parece tanto conosco. É uma experiência rica, mas após alguns dias a novidade acaba."

Isso eu senti de verdade. Tem uma hora que vc olha pra todos os lados e acha aquilo tudo natural, e sente falta do que sempre teve, mas nunca deu tanto valor. Feijão com arroz, usar havaiana, brincar com um bebê sem a mãe achar estranho... Beber outra coisa além de coca cola, uma água de cooooco! Ave, dá saudades!

Uma coisa que também sempre concordei, é que geralmente brasileiro coloca o Brasil pra baixo. Cada um sabe de sua realidade, mas não conhece a realidade do outro lá fora.

Adorei o post Liz! Eu tbm tenho orgulho do meu país, mesmo com todos os problemas, até pq problema, TD MUNDO TEM!

Beijitos! :*

Naldo Góes disse...

Maravilhoso o texto.
Reflexões veem a tona ^^

Laís Lewicki "Polly" disse...

Realmente, cada dia mais eu me convenço de que nasci no lugar certo, no país certo e no estado certo. Claro que a gente sempre vai olhar pra um outro país e pensar, puxa, no meu país podia ser assim. Os carros podiam parar quando eu tentasse atravessar, as pessoas podiam não jogar lixo no chão, etc.

Porém, eu não acho que gostaria de viver em um país que não seja tão caloroso quanto o Brasil, não é calorento, rs, é caloroso mesmo. A gente abraça mesmo, beija mesmo, ama com todas as forças, se apaixona, dança sem vergonha nenhuma até o rebolation. Come tudo quanto é tipo de comida, japonesa, chinesa, italiana, americana, BRASILEIRA.

Choramos quando ganhamos, choramos quando perdemos. Nos emocionamos em final de novela e de BBB. Fazemos piada com o que não conseguimos resolver ainda. Fazemos piada com quem faz piada da gente (leia-se políticos).

E eu concordo com o texto, podemos ser um país de Terceiro Mundo, mas somos muito mais felizes que países de Primeiro Mundo.

Adorei o texto Liz, deixa o link do blog no post pra gente poder visitar!

Liz Sampaio disse...

Aqui na Argentina, nao tem lixo no chao, os carros deixam vc atravessar, mas tbm todo mundo fuma na sua cara e vc se torna fumante passicvo facinho, sem falar na crise que o pais passa. Nenhum lugar é perfeito, mas eu gosto mesmo é do meu país!

Esqueci de dar o devido crédito, esse nem é o post inteiro é só uma parte. VocÊs podem ler o resto aqui http://papodehomem.com.br/sou-brasileiro-com-muito-orgulho/ . Leiam mesmo porque é muito legal.

BJos e agradeço os comentariossss!!!!
Saudades de voces

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